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Comentário de filme, quinta feira, 03 de julho 2014

Apesar de ser louco por cinema, depois da cirurgia de catarata, não tinha ainda enfrentado o desafio de ir a um cinema e me defrontar com uma tela durante uma hora e meia ou duas horas. Agora, venci o desafio e escolhi ver "O homem duplicado". Escolhi por ser baseado em um romance um tanto estranho (Ennemy, romance de 2002) de José Saramago. Também tenho interesse pelo cineasta canadense Denis Villeneuve que fez outros dois ou três filmes bons, mas exigentes.

O filme tem uma história simples, mas um desenvolvimento complexo. E ou eu fui incapaz de compreender o que o diretor quis passar, ou a edição de cenas e o roteiro deixam muito a desejar, gerando uma confusão que poderia ter sido evitada.

O ator Jake Gylenhall é excelente e faz o papel de um professor universitário que, de repente, em casa, vê um filme em DVD e percebe que um dos atores é idêntico a ele mesmo. É mais que um sósia. Começa a procurar quem é o tal ator e ao descobri-lo,  

envolve nisso sua namorada e a mulher do ator. Nenhuma das duas sabe distinguir um do outro nem percebe a confusão. O filme parece assumir uma atmosfera de suspense porque se sente que aquela confusão dará em uma tragédia. Mas, nem isso fica claro. Os dois não são gêmeos, mas são idênticos e embora fisicamente iguais, com a mesma voz e o mesmo jeito de ser, tem temperamentos diferentes e vidas bem diversas. O professor é um homem pacato. O outro é ator, homem de aventuras e situações complexas de relacionamento. 

Saímos do cinema com uma sensação de confusão mental, sem saber exatamente o que aconteceu. Tive a impressão interior de que o filme (e o livro) é uma parábola da divisão interior em que frequentemente vivemos. Será que aqueles dois homens (um se chama Adan e é professor. O outro se chama Antonhy e é ator) são no fundo uma pessoa só que esquisofrenicamente vive duas vidas? 

O filme não responde a essa questão. Um dos dois personagens tem sempre a visão de uma tarântula gigantesca. Isso parece representar o medo de relações mais profundas e especialmente das mulheres, pois ambos têm mulheres dominadoras e a própria mãe do professor, representada breve, mas esplendidamente por Isabella Rosselini, é também uma mulher autoritária e dogmática. 

É sempre bom retomar o trabalho pessoal de refazer a própria unificação interior.  O mundo atual nos joga para todos os lados e dificulta isso, mas vale a pena sempre insistir e avançar nesse caminho.       

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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