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Conversa, quinta feira, 19 de julho 2012

Queridos irmãos e irmãs, 

Estou em Itabuna, no sul da Bahia, cidade próxima a Ilhéus, hoje, novamente em evidência no Brasil, por causa da telenovela Gabriela que alguns me dizem (nunca vi) ser bonita, mas superficial com relação ao livro de Jorge Amado que é mais profundo. 

Itabuna me dá a impressão de ser uma cidade que cresceu de forma desorganizada como a maioria de nossas cidades e ter o desafio do desemprego e dos problemas urbanos de toda grande cidade. 

Aqui começou hoje o encontro "nordestão" das comunidades eclesiais de base. Chegaram ônibus trazendo gente de todos os estados do Nordeste, desde o Maranhão até o estado da Bahia que é imenso. Esse encontro é preparatório ao 13o encontro intereclesial (nacional) de CEBs que será em janeiro de 2014. O tema é Justiça e profecia a serviço da vida no Nordeste. E o texto do evangelho proposto como lema é o das bem-aventuranças. 

A abertura do encontro foi em uma quadra de esportes da cidade. Calcularam em 500 pessoas, os participantes. Muita animação e clima de festa. Pessoalmente, não gosto quando as celebrações parecem imitar shows televisivos ou programas de auditório. Penso que a assembléia, em seu conjunto, participa menos. Mas, graças a Deus, nessa noite, houve momentos de boa oração e celebração mais profunda. E o pessoal parecia muito contente. 

De fato, tenho a impressão de que, hoje, no cotidiano da maioria das dioceses, as pessoas de base sentem que atualmente o clero e a hierarquia eclesiástica valoriza muito mais movimentos e atividades que sejam para dentro da própria Igreja e não pastorais sociais e Cebs. Em geral, isso pode desanimar as pessoas a perseverarem no caminho. Justamente no caminho da profecia, isso é, do testemunho de que a fé só é evangélica se for transformadora do mundo. O valor de um encontro como esse é que essas pessoas de base vêm e aqui percebem que não estão sozinhas. Somos ainda muitos e muitas que se mantêm no caminho. Isso é animador e importante. Sempre me recordo de que profecia nunca foi mesmo coisa de maiorias. Ao contrário, os profetas e profetizas de Deus, em todos os contextos e momentos, sempre foram minorias. Dom Hélder Câmara os chamava de "minorias abraâmicas", isso é, minorias frágeis e sem força, mas às quais Deus dá uma herança fecunda e uma história pela frente. Amanhã, nesse encontro, terei o dia cheio. Vou assessorar um dos cinco ou seis plenários - o meu será sobre profetas de ontem e de hoje. Sinto-me cansado e sem força, mas na hora em que começo, a força chega. Deus não nos abandona. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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