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Fazer descer da cruz os crucificados

Nessa semana em que a ONU dedica ao combate à fome (16 de outubro é o dia da alimentação), o prefeito de São Paulo apresenta a sua proposta de farinata. O que é isso? A massa com prazo vencido ou perto de ser vencido e que não pode mais ser comercializado. Então, segundo o prefeito Dória, para não desperdiçar, servirá para os pobres de rua e para o material servido na merenda escolar das periferias e escolas públicas. Será o alimento dos pobres.

Ele justifica dizendo que pobre não tem hábito alimentar. Como se dissesse: Não tem gosto. Pode comer qualquer coisa. Deve estar feliz por ter o que comer. E como esse tipo de comida já não serve mais para o mercado pode servir para o pobre. E ainda é nutritiva e sadia. Infelizmente, o cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, defende o prefeito e tenta suavizar suas palavras e tornar palatáveis suas explicações. Os nutricionistas e a própria Secretaria Municipal de Direitos Humanos declaram que ainda a tal farinata ainda está em estudo e justamente para se ver a sanidade e até que ponto isso é viável. Independentemente das questões técnicas e médicas que esse assunto acarreta, pensemos no que significa no ponto de vista humano e para quem tem fé: no sentido espiritual dessa postura. E retomemos nossa opção de considerar os pobres como dizia Sao Vicente de Paula, "nossos senhores" e vamos servi-los não com a sobra ou o que não queremos por no lixo, mas com a partilha de nossa própria vida, tudo o que somos e o que temos não para que continuem cada vez mais pobres e sim para descê-los da cruz. Pelos pobres e com os pobres, contra a pobreza "para fazer descer da cruz todos os crucificados do mundo".

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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