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​Momento bíblico, domingo, 29 de janeiro 2012

O evangelho lido hoje nas comunidades conta que Jesus foi à sinagoga e ali havia um homem possuído pelo demônio. Chouraqui, padre judeu que trabalhou muito as raízes judaicas da nossa fé, traduz a possessão de outro modo: um homem cheio de energia ruim. E esse homem estava no lugar sagrado, na sinagoga. Há quem leia esse texto de forma anti-semita (a sinagoga é lugar de espíritos maus), mas o texto não diz isso, já que sublinha que todo sábado Jesus ia à sinagoga, como todo judeu religioso. O problema é que toda e qualquer religião é assim: pretende ser o lugar do encontro com Deus, mas pode também ser lugar de possessão diabólica, ou seja, de energia má e destruidora. Conforme o evangelho, o tal homem era capaz de reconhecer a verdadeira natureza de Jesus: "eu sei quem tu és, Jesus: o consagrado de Deus". Então, ele tem até a capacidade de ver através da fé, mas isso não o faz menos possuído pelo mal. Jesus não o deixa pronunciar o nome dele porque, conforme a cultura judaica da época, dizer o nome da pessoa é uma forma de dominá-la. Jesus manda-o calar-se e deixar aquele ser humano livre. Para mim, ficam dois pontos: 1o -  sempre me perguntar sobre que energia me domina (por alguma eu sou dominado) e buscar a energia do amor e da solidariedade. 2o - voltar mais intensamente à prática da oração do nome de Jesus. É, ao mesmo tempo, uma forma de meditar e me aquietar e do outro de me sentir envolvido pela pessoa e pela prática de Jesus. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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