Blog Aqui vamos conversar, refletir e de certa forma conviver.

Palavras para o início dessa Quaresma

“Ao ver que chegou sua hora de passar deste mundo ao Pai, Jesus, tendo amado os seus que estavam no mundo, foi até o extremo do amor (até onde o amor pode ir)” (Jo 13, 1ss). 

 Se somos discípulos e discípulas de Jesus é para segui-lo nesse caminho de amor até onde o amor pode ir. Para nos ajudar a viver isso, cada ano, as Igrejas mais antigas celebram anualmente a festa da Páscoa. Ela é tão importante que os antigos cristãos a chamavam de “sacramentos pascais”. E essa celebração pascal começa por 40 dias de retiro aos quais chamamos de Quaresma. É o tempo no qual, cada um/uma de nós é chamado/a se renovar interiormente e colaborar para tornar a Igreja mais pascal e o mundo mais justo e amoroso. 

Então, na Quaresma, para cada cristão e cristã, o mais importante é retomar o caminho da conversão pessoal e ligar a Páscoa de Jesus com o assunto que a Igreja propõe como tema para o exercício da nossa solidariedade. Nesse ano de 2019, viveremos a Campanha da Fraternidade,  sob o tema da Fraternidade e Políticas Públicas. 

O grande desafio é que muitos (mesmo padres e bispos) não veem a Campanha da Fraternidade como algo essencial e central na celebração e vivência da Quaresma e Páscoa. Ainda dividem a dimensão religiosa (o culto e a oração) da sua expressão social e política (A Campanha da Fraternidade). É importante que ajudemos a superar isso e a mostrar que se não lutamos por um mundo novo possível, nosso testemunho de que Jesus ressuscitou se torna fraco e ineficaz. 

Nessa Quaresma, o mais importante é retomar o caminho de uma vida centrada na Páscoa de Jesus, isso é, estarmos dispostos a sempre nos renovar tanto no modo de pensar, como no nosso modo de conviver. É importante que nossas celebrações sejam sinais e expressões desse esforço para sermos cada vez mais pessoas renovadas  do jeito que Jesus ressuscitado recria no mundo. E nos unamos aos movimentos sociais e comunidades que trabalham para aprimorar políticas públicas que beneficiem a todos/todas.  

No século IV, João Crisóstomo, bispo de Constantinopla, ensinava: “A Páscoa de Jesus vem fazer da vida da gente, mesmo no meio das lutas e das dores, uma festa permanente de esperança e comunhão”.   

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

Informações

contato@marcelobarros.com