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A assunção de todos nós

                      Na Igreja Católica, a festa da Assunção de Maria tem uma história complicada. As antigas Igrejas Orientais celebram a dormitio, ou seja, a dormição de Maria. Na Idade Média, surgiu a crença de que ela morreu e os anjos levaram o seu corpo ao céu. Quando, já em 1950, o papa Pio XII proclamou essa crença como dogma, isso é, verdade de fé a ser acreditada por todos os católicos, é claro que isso acarretou mais ainda problemas com os ortodoxos que não têm esse dogma e mais ainda com os evangélicos. 

                       No Concílio Vaticano II, tentou-se ir além desse modo de falar de Maria quase que separado ou diferente dos outros crentes. A Constituição sobre a Igreja dedicou um capítulo a Maria e ensinou que Maria é figura, é símbolo da Igreja e da humanidade nova. Se é assim, temos agora um enfoque novo para considerar a assunção. É ver em Maria o símbolo da humanidade nova. A assunção não é espacial nem menos ainda ficar se perguntando como um corpo humano (matéria) pode ser colocado vivo em outro universo (que seria sobrenatural). Assunção é ver as pessoas manterem a esperança e a força de resistência na luta mesmo em momentos tão difíceis de nossa história brasileira e humana. É cada um de nós conseguir com a graça divina encontrar forças para ir sempre "para cima" e não se deixar arrastar "para baixo". 

                        A comunidade de Lucas põe na boca de Maria um cântico de assunção de toda a humanidade: "Ele derruba os poderosos de seus tronos e eleva os pequeninos. Enche de bens os famintos e despede os ricos sem nada". Não era o que se via nos anos 80 do primeiro século e não é o que se vê hoje. É nossa fé que nos faz crer nisso e apostar nessa esperança. E viver a raiz dessa confiança: O Senhor fez em mim maravilhas. Santo é o seu nome.   

                     

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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