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A Deus o que é de Deus

                     No evangelho que as Igrejas costumam ler nesse domingo (Mateus 22, 15- 21), Jesus responde a seus adversários fariseus com o célebre "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". Muitas vezes, na História, essa palavra foi interpretada em um sentido que dividia fé e política, Igreja e realidade social. Atualmente, a maioria dos exegetas concorda que a resposta de Jesus significa: "Devolvam a moeda a César - era a moeda do império - e deem a Deus o que é de Deus - a vida, a terra e o Israel que foi chamado a ser povo de Deus". 

                         Essa forma de viver e pensar a fé é radical e revolucionária. Em um fórum ocorrido em Nairóbi um teólogo muçulmano perguntou a seus colegas cristãos: "O que vocês fizeram com o Cristianismo para ele ser tão bem aceito pelos impérios?". 

                       A alguém que perguntou ao padre José Comblin: Por que em mais de 2000 anos de Cristianismo, esse não conseguiu transformar esse mundo, Comblin respondeu: Certamente porque até aqui o Cristianismo do evangelho não foi ainda realmente posto em prática. Nunca foi experimentado, a não ser por uma ou outra pessoa como Francisco de Assis e alguns outros... 

                     Se a Igreja levasse a sério a eucaristia que celebra e tirasse todas as consequências do sacramento da comunhão, começaria ela mesma a cuidar da relação entre sacramento e realidade. E seria bem mais exigente com relação às condições para se receber o sacramento. Hoje, as Igrejas fazem exigências morais e praticamente nenhuma exigência social e econômica. Isso seria reinvertido. E a gente teria pelo menos no mundo parábolas de um mundo de comunhão. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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