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Apelo a meus irmãos e irmãs de profecia

Hoje, reparto com você a mensagem que publico nessa noite no meu blog e no facebook: 

 

Apelo a meus irmãos e irmãs de profecia

                  No dia 07 de fevereiro nasceu Dom Helder Camara (a 111 anos) e em um 07 de fevereiro de 1756, era morto em combate Sepé Tiaraju, cacique dos Guarani que teve a coragem de enfrentar com suas flechas e armas indígenas os exércitos de Portugal e Espanha, os dois maiores impérios da época trazendo contra os índios canhões e morteiros para destruir a República Livre dos Guarani nos sete povos da missão.

Atualmente, o desgoverno brasileiro a serviço do império do momento, continua a mesma perseguição contra os índios, assim como contra os pobres e contra a liberdade. E essa memória de Sepé Tiaraju e de Dom Helder pertence a nós. Os herdeiros dessa profecia é você, meu irmão, minha irmã que está conosco nessa caminhada dos movimentos populares e das pastorais sociais.  

Há muitas maneiras de exercer a profecia. Você tem a sua. E eu quero simplesmente confirmar que você é profeta (profetiza). O meu apelo não é para você passar a ser. É simplesmente para vc confirmar e aprofundar o que você já é e já vive. Se você não fosse filho/a da profecia não estaria nessa caminhada nossa e nem estaria lendo essas linhas (leria outros e não a mim). Se você está ligado por um amor que é muito íntimo a isso que eu, com todas as minhas falhas e fragilidades, lembro e atiço em você é porque você é da profecia e só sente feliz quando a vive. 

Eu e você sabemos que não é fácil: nadar contra a corrente. Viver inserido nessa sociedade sem se deixar corromper pelo individualismo, pela onda de egocentrismo que existe na juventude e pela ideologia que manda você pensar primeiro, segundo, terceiro em você e depois se houver tempo e lugar dar alguma sobra para os outros. Essa não é a sua opção. Você sabe que como dizia o Mahatma Gandhi, tem de começar por si mesmo/a a transformação que você quer para o mundo. Então, a raiz da sua profecia é fazer brotar de dentro de você todo o amor do qual vc é capaz. Amor mesmo, carinho, ternura, delicadeza. E aí você se casará de novo consigo mesmo, porque se sentirá bem com seu modo de ser, sua orientação sexual, seja qual for, com a cor de sua pele, com a pertença à sua família e com as feridas de sua história pessoal (todo mundo tem feridas que vêm da infância). Não adianta parecer que está bem com tudo isso, se de fato, no mais profundo de si mesmo, você ainda tem dificuldade de se aceitar e ser você mesmo/a. 

Em um de seus aniversários, no dia de hoje, na década de 70, Dom Helder telefonou a um padre pedindo uma entrevista e quando o padre a concedeu, ele explicou que a entrevista que tinha pedido era do padre consigo mesmo. Dom Helder pedia que o padre fosse capaz de ficar uma hora dialogando consigo mesmo para superar os problemas que tinha com o povo. 

Você também precisa reservar um momento do dia consigo mesmo e aí sim tomar a iniciativa de começar cada dia dizendo a seus companheiros e companheiras de trabalho uma palavra de amizade, gratuita e verdadeira. Nunca deixar de corresponder ao amor que lhe dão com mais amor e jamais aceitar ser visto como alguém que ama menos. Primeiramente porque isso é injusto com você que é feito/a de amor. Só tem dificuldade de expressar. Mas a sua vocação profética o levará hoje a essa liberdade interior e aí sim você terá toda coerência de lutar contra as injustiças sociais e pela transformação de um novo mundo possível. 

De minha parte, já na idade na qual a gente se prepara para partir, vivo outros desafios como a aceitação da própria fragilidade, a necessidade de depender dos outros, a sensação de não ser mais útil, etc. Também aí a profecia, como Dom Helder me ensinou é a de envelhecer como um vinho bom que quanto mais velho mais valioso e nunca se transformar em vinagre azedo e intragável. Velhos ou jovens, temos todos de sermos capazes de nos apaixonar de novo e sempre para que a força dessa paixão nos torne mais semelhantes a Jesus: pessoas de amor.    

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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