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Comentário de filmes, quarta feira, 20 de junho 2012

Violeta vai ao céu

Talvez a geração atual só conheça de Violeta Parra a canção imortal "Gracias à la vida" ou quem sabe a versão gravada pelo Milton, ou Mercedes Souza de "Volver a los dezessete"... Mas, quem viveu na época das ditaduras militares latino-americanas sabe a importância dessa grande cantora chilena, que além de cantora, pintora, criadora de tapetes (não sei como se diz tapiceira?) e outras coisas. Por isso, esse filme quase desconhecido de Andres Wood é muito bem vindo. A produção é chilena-argentina e feita a partir de um livro de Angel Parra, filho de Violeta, aliás ele também grande cantor. O filme é lindo e nos faz ressaborear as canções mais conhecidas dessa maravilhosa compositora e intérprete em meio a uma história poética, humana e ao mesmo tempo trágica de uma pessoa de personalidade forte e genial, mas absolutamente marginalizada e sugada por todos. O filme não faz dela um mito e a mostra como ela era. Aliás a atriz chilena que a interpreta (Francisca Gavillán) a encarna de tal forma, tanto nas expressões corporais, como na voz e no jeito que parece até mais um caso de possessão artística, como foi ver Marion Cotrillard encarnar Edith Piaf ou Daniel de Oliveira fazer Cazuza de tal modo que a própria mãe do cantor começou a chorar ao vê-lo interpretar (e sendo que ele fisicamente não parece nada com Cazuza). O filme é principalmente uma memória do filho e como biografia deixa a desejar (não era essa a intenção do cineasta), mas você sai do cinema cantando ou recordando na memória a força daquelas músicas. Tomara que o filme que está em circuito no Rio e São Paulo passe também em nossas cidades do Nordeste e outras como Goiânia, Brasília, etc. Se puderem, não percam que vão gostar. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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