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Conversa, segunda feira, 22 de fevereiro 2016

No aeroporto de Guarulhos, esperando tomar o avião que me levará ao norte da Itália, recebo pela internet a notícia do falecimento do padre Fernando Cardenal, na Nicarágua. Ele era irmão de Ernesto Cardenal, o poeta e monge rebelde.

Nos anos 80, quando os sandinistas venceram a ditadura de Somoza, o padre Fernando foi nomeado ministro da Educação. Imediatamente fez uma cruzada de alfabetização que conseguiu mudar o índice de analfabetismo no país de mais de 55% para 16%. Uma coisa incrível. Em 1983, o papa João Paulo II visitou a Nicarágua e o obrigou a sair do ministério e dos jesuítas, se ele continuasse ministro. Ele saiu e só foi reabilitado nos anos 90. Trabalhou até agora há pouco pela justiça social e pela liberdade do seu povo. Os seus companheiros de casa diziam que não podiam lhe pedir para ir comprar pão na esquina, porque se ele fosse, voltava para casa sem nada. No caminho, repartia até o último pedaço com quem lhe pedisse.

Ao celebrar a sua Páscoa, pedimos a Deus que nos encha desse mesmo espírito que iluminou Fernando Cardenal por toda a sua vida e fez dele um verdadeiro discípulo de Jesus. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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