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Convite para a consolação

                   Esse texto do evangelho lido, nesse final de semana nas Igrejas é o que costuma ser chamado de "testamento de Jesus". De fato, na véspera de sua paixão, depois da ceia de despedida que fez com os discípulos e discípulas, antes de ir para o horto, onde seria preso, Jesus lhes promete o Espírito Consolador. Durante toda a Bíblia, a promessa mais profunda de Deus a seu povo tinha sido de "vir morar com a gente". Agora, Jesus diz que essa morada de Deus na pessoa, no mais íntimo de cada pessoa, se realiza através do amor. "Se alguém me ama, guardará minha palavra, meu Pai o amará, nós viremos a essa pessoa e nela faremos nossa morada". 

                   A morada de Deus na pessoa é morada do amor. E não é algo espontâneo, nem se dá de forma automática. Dá-se pelo "guardar a Palavra". Não se trata de um observar a lei ou ser rigoroso na moral, mas se trata de tomar a palavra de Jesus como critério fundamental de vida, modo de viver. E aí sim, através de Jesus, o Pai nos dará o Espírito. Jesus o chamou de Espírito Consolador. O termo grego Paráclito significa mais: é advogado de defesa, é consolador, é alguém que está do nosso lado de forma a mais íntima possível para nos consolar e nos fortalecer na luta da vida. Jesus o chama o "outro" paráclito ou consolador. Porque o primeiro é ele, Jesus. Mas, com sua ressurreição, ele nos dá o seu Espírito e essa é a nossa consolação permanente e a mais profunda possível. 

                 Nas relações sociais, muitas vezes, a cultura da independência pessoal e da autonomia nos faria ter vergonha de assumir que precisamos de consolação. Entretanto, quem na vida, não guarda em si feridas que sempre precisam ser cuidadas com amor ? Quem não guarda dores que nos fazem precisar de consolação? Mas, ao nos consolar e defender nas lutas da vida, o Espírito nos abre a uma missão que é viver o amor divino nesse mundo e ser testemunhas de que é possível viver esse amor como caminho do bem-viver. 

                    Nesses dias e até o domingo de Pentecostes (nesse ano, o 1 de junho), as comunidades católicas populares fazem novena do Divino, invocam e pedem o Espírito Santo para nos consolar e nos fortalecer na caminhada de hoje. Há mais de cem anos, a Igreja nos convida a orar pela vinda do Espírito orando pela unidade das Igrejas cristãs e atualizando em nós a oração de Jesus: "Ó Pai, que todos sejam um, como eu e tu somos UM, faze que os meus discípulos e discípulas sejam Um para que o mundo creia que Tu me enviaste" (Jo 17, 19- 21). 

                    Quero me unir a essas comunidades, pedindo a Deus que nos dê a graça de uma fé mais profunda, que nos faça perceber a presença profunda e gratuita dele em nós e nos faça viver dessa presença como mistério de amor.  

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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