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Dia internacional dos povos indígenas

             Na América Latina e no mundo, o acontecimento mais importante das últimas décadas tem sido o despertar e a emergência do protagonismo dos povos originários. Embora a sociedade dominante ainda os tente manter invisíveis e sem voz, cada vez mais eles se fazem presentes e atuantes no mundo. Desde 1994, em Chiapas, no sul do México, os povos indígenas têm se revelado inseridos em nosso tempo e lutando pela sobrevivência dos pobres, pela dignidade de todos e pela comunhão com a natureza ameaçada por essa civilização assassina. 

               A ONU calcula em 60 milhões de pessoas no mundo que pertencem a esses povos originários, sejam os índios na América, sejam os tuareg no norte da África, seja populações nativas na Sibéria e por todos os continentes. Na Austrália e no Canadá, os nativos têm recuperado sua forma tradicional de vida e têm denunciado as opressões que sofreram da sociedade dominante. 

                    Na América Latina, de cada três pessoas que vive na pobreza absoluta, duas são índias ou descendem dos índios. Até hoje, em muitos países, os índios ainda não conseguiram os direitos de cidadania que os outros têm. No Brasil, na última década, proporcionalmente, a população indígena é a que mais tem crescido  em número. O governo atual e o Congresso que temos estão unidos para derrubar os poucos direitos que os índios tinham conquistado na Constituição de 1988. 

                   As Igrejas cristãs têm uma pesada dívida histórica e moral com os povos indígenas. Nesse mês de agosto, fazemos memória de um bispo profeta que viveu no Equador e foi amigo de muitos de nós. Monsenhor Leônidas Proaño era bispo de Riobamba no Equador e foi um dos pais da Igreja na América Latina. Há mais de 20 anos, ele teve um câncer e faleceu em poucos dias. 

                   Poucos dias antes de falecer, o nosso mestre o padre José Comblin o visitou. E no leito em meio às dores de uma doença terminal, Dom Leônidas afirmou em meio a lágrimas: "Que tristeza carrego ao perceber que, entre os muitos sujeitos históricos, a minha Igreja foi uma grande culpada da escravidão e da realidade atual de sofrimento e dizimação pela qual passam os povos indígenas"

                    Hoje, precisamos refazer essa injustiça pela nossa solidariedade profunda e eficaz aos povos indígenas. 

En la actualidad conformamos 370 millones de indígue reconozca los derechos colectivos y la reparación de injusticias históricas de instituciones autónomas que despierte las utopías y esperanzas.

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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