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Duas demissões

A FUNAI acaba de demitir o cacique Megaron, índio metuktire no Mato Grosso por ele ter se pronunciado contra o projeto da Usina do Belo Monte. Ele é sobrinho do famoso cacique Raoni e eles todos, junto com outros povos indígenas serão deslocados de suas terras pela hidroelétrica que o governo teima em construir. O Ministério público já embargou a obra. A Organização dos Estados Americanos pediu satisfação ao governo brasileiro por destruir uma área imensa de floresta, expulsar 18 grupos indígenas de suas terras e para construir uma obra que os técnicos da UNICAMP afirmam ser desnecessária. O Brasil pode viver tranquilamente com 50% da energia que consome hoje (jornal O Popular, 10/11/11). Além disso, o custo da obra, alçado em oito bilhões, já chegou a 32 e agora está em 24 bilhões de reais. Também dizem que na seca, a hidroelétrica não funcionará porque não terá água suficiente para abastecer as turbinas. Além disso, como levará água à Amazônia? Poderá atravessar todo o rio-mar com fios? Como o governo não se dá conta de que esse tipo de desenvolvimento não leva a nada e deve ser transformado? Um artigo de Washington Novaes publicado pela agência Estado diz que vários povos indígenas quando recebem pessoas que estavam distante choram de emoção e  como símbolo da saudade que sentiram. Agora os índios do Xingu choram pela volta do cacique Megaron, demitido da Funai e pela natureza demitida e assassinada pelo governo brasileiro que se diz popular. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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