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Espiritualidade e cuidado social e político

                 O evangelho do 5o domingo comum do ano B (Mc 1, 29- 39) continua a narrar de forma resumida um dia da vida de Jesus. Conta que Jesus sai da sinagoga e vai à casa de Simão e André. Sai do espaço sagrado e vai para outro espaço que é chamado casa - no tempo do evangelho de Marcos as primeiras comunidades dos discípulos se reuniam nas casas. Era a Igreja doméstica. A casa é lugar de vida, de convivência. Ali, há uma mulher doente, prostrada. É a sogra de Pedro.  Jesus a  cura e a coloca de pé para exercer como mulher o seu papel.  O evangelho conta que Jesus se aproxima, a toma pela mão e a levanta. Três gestos: aproximar-se, tomar pela mão e a levantar. Como em muitas passagens do evangelho, figuras femininas são símbolos de grupos das comunidades, são personagens coletivas, imagino a sogra de Pedro com febre, como grupos cristãos prostrados, desanimados, desarticulados e imobilizados. E esses gestos de Jesus - aproximar-se, tomar pela mão e os levantar... O evangelho repete: Jesus a levanta e ela se põe a servi-los. Isso é, ela começa a exercer  a diaconia, o serviço. O primeiro ministério de Jesus se exerce na casa. Tento hoje atualizar isso propondo que se retomem os encontros em família e com vizinhos e mesmo celebrações em um estilo mais doméstico. Como é importante que através de nós, ele possa fazer isso em nossa sociedade brasileira... que está assim - nocauteada por tantas iniquidades jurídicas e políticas. É importante que depois de contar essa cura mais pessoal e em um ambiente íntimo, diz que depois do pôr do sol (isso é depois do sábado), traziam a Jesus muitos doentes, muita gente para ser curada e ele curava a todos. Vivemos em uma sociedade doente e que precisa de cura. Precisamos de uma cura e urgentemente. E é triste como nossas Igrejas e comunidades parecem fazer pouco ou muito pouco para que essa febre se vá e a sociedade doente possa se levantar. 

               O evangelho diz que de madrugada, bem cedo, Jesus saia para orar. O que significa isso? Os evangelhos insistem muito nesses tempos que Jesus dedicava à intimidade com o Pai. E ao mesmo tempo, os discípulos o procuram e ele aceita sair. Para mim, fica sempre esse desafio: o fundamento de uma consagração social e política profunda e total é a relação de profunda intimidade com Deus. Como viver isso? Como expressar isso? E esse fato de que a oração está intimamente ligada com a solidariedade social e política. É uma espiritualidade política libertadora que tem como raiz a visão de um Deus Amor que traz seu reino para subverter esse mundo... 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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