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Hora e vez dos trabalhadores

               As cadeias globais de produção garantem carros que se guiam sem motoristas, máquinas que são controladas à distância. A internet entrou na produção. E as empresas podem dispensar um número sempre maior de trabalhadores. Dentro de pouco tempo, muitos empregos irão simplesmente desaparecer. Nesse contexto de sociedade, muita gente se pergunta qual o futuro dos trabalhadores. Domenico de Masi tinha proposto "O ócio criativo". Mas, na sociedade capitalista em que o lucro manda e o egoísmo dos patrões faz tudo para ganhar mais não há lugar para ócio criativo. O desempregado é mesmo descartável e destinado à exclusão social. 

             Como se pode pensar em justiça em um mundo no qual sessenta famílias dispõem de uma riqueza equivalente à metade da humanidade? Como manter uma proposta de solidariedade em uma cultura na qual qualquer pensamento comunitário é condenado e a proposta das elites é cada um por si e Deus por ninguém? Como celebrar 1o de maio em um mundo no qual cidades antes industriais viraram ruínas, isso no Brasil (bairros inteiros de São Paulo, cheios de armazéns vazios). Na Itália, Turim tem toda uma parte da cidade tomada pelas antigas instalações da FIAT hoje ruínas, um pouco mais além as ruínas da OLIVETTI e assim Detroit nos Estados Unidos e em outros países... . Que futuro terão as gerações jovens em um mundo onde lhes é negado o direito do trabalho? 

                É preciso ir contra a corrente e reconstituir a história de fábricas abandonadas, ocupadas pelos operarios e que hoje estão funcionando com gestão coletiva e em cooperativa. Há exemplos disso no Brasil, na Argentina e em vários países. Como tornar conhecido as experiências dos índios mexicanos de autopromoção nos Caracóis, comunidades indígenas de administração autônoma? Que esse 1o de maio signifique uma maior unidade dos trabalhadores e que, por suas organizações de base possam testemunhar que outro mundo é necessário e juntos podemos torná-lo possível. 

                   Para quem tem fé, isso é um compromisso espiritual urgente e está ligada ao testemunho da ressurreição de Jesus.  

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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