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Meditação bíblica, domingo, 04 de outubro 2015

Hoje, a Igreja celebra a festa de São Francisco de Assis. É o dia do seu trânsito, data em que ele passou ao céu. Em primeiro lugar, agradecemos a Deus por nos ter dado uma figura como Francisco que nos mostrou que é possível seguir Jesus com tanta fidelidade que os seus biógrafos diziam que ele era uma "cópia de Jesus". E Francisco era um ser humano comum, como qualquer um de nós, uma pessoa que tinha dúvidas, medos, hesitações e desejos. Mas, como ele dizia, queria "amar o próprio Amor" e por isso se consagrou. O mundo o recorda, seja, como o papa Francisco lembrou, pelo seu amor aos pobres, (ele que era de família rica, assume a pobreza e até se torna mendigo para conviver com os pobres e lhes dar um sinal do amor de Deus por eles. Não é porque a pobreza seja em si boa e sim, como diz a teologia da libertação, "junto com os pobres e contra a pobreza injusta". Além disso, ele também é lembrado pela sua comunhão com a natureza. Francisco se tornou "irmão universal". E perto de morrer, canta o cântico das criaturas, ao irmão sol, à irmã lua e a todos os seres do universo como uma só família de Deus.

O evangelho da festa (Mt 11, 25  - 30) mostra Jesus tendo sido rejeitado pelos habitantes das cidades do lago. Eles o rejeitam. Os discípulos esperavam que ele ficasse irado ou deprimido de ter sido rejeitado. Ao contrário, ele exulta de alegria e ora: "Eu te agradeço, Pai, porque tu escondeste o teu segredo dos grandes e entendidos (o pessoal das cidades) e os revelaste aos pequeninos (os habitantes das aldeias e as pessoas que viviam nas estradas). Sim, Pai, assim foi do teu agrado.... É a boa notícia do projeto divino para o mundo revelado aos simples e pequeninos e propositadamente ocultado aos grandes e entendidos. Há uma subversão divina nesse projeto. Para nós, o desafio é nos colocarmos do lado dos pequeninos que acolhem o reino e não do lado dos grandes que discutem muito, mas não seguem no caminho concreto de Jesus. É preciso hoje ainda nos despojarmos de tantas coisas que nos enriquecem de nós mesmos e sermos capazes de acolher o chamado: Venham a mim! É o mesmo chamado feito aos discípulos: Sigam-me. E Jesus acrescentam: Tomem sobre vocês o meu fardo que é suave e leve.... Venham e eu lhes darei descanso, alegria, paz, sábado, plenitude... Uma felicidade que nenhuma outra coisa do mundo pode dar. Uma alegria que São Francisco de Assis chamou de "alegria perfeita" e que ele explicou que se encontra quando se vive a profunda comunhão (identificação) com Jesus, mesmo em meio a todos os sofrimentos da vida. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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