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​Meditação bíblica, domingo, 09 de dezembro 2012

Para os cristãos de tradição latina, hoje é o segundo domingo do Advento e a liturgia nos convida a meditar na figura de João Batista, o profeta. O evangelho lido é Lucas 3, 1 - 6. 

Hoje em uma oração com um grupo cristão, alguém leu esse evangelho, mas preferiu pular os primeiros versos para não ler os nomes de todos os governantes da época do evangelho, nomes que hoje não têm mais nenhuma importância. 

Lucas preferiu nomeá-los para mostrar que o evangelho acontece inserido na história concreta e em meio aos fatos políticos. Entretanto, embora ele cite todos aqueles poderosos, a palavra de Deus não foi dirigida a nenhum deles. Foi dada a João, no deserto... Hoje, ainda é assim, a palavra é dada aos profetas e no deserto. A apresentação de João tem algo de irreal. Como fazer tudo isso que o profeta Isaías anunciara e que se cumpriria na volta do povo do exílio – cena também descrita pelo texto de Baruc lido como primeira leitura de hoje – como João cumpriria tudo isso – endireitar os caminhos e anunciar a salvação para toda criatura – ele no deserto, pobre e indefeso?

Desse trecho do evangelho, tiro algumas conclusões importantes para a minha vida:

1º - O Messias não vem sem ser preparado pela profecia. Se não há profecia, não há Natal, nem no tempo antigo da vinda humana de Jesus, nem hoje. Uma Igreja acomodada em seu status e apegada ao seu poder no mundo está mais para Tibério, Herodes e Pilatos do que para João Batista. Uma Igreja que se nega a ser profética não prepara a vinda do projeto divino no mundo.

2º - A profecia sempre ocorre no deserto e não no centro dos impérios. Ou aceitamos a condição de vida no deserto como caminho necessário para a nossa missão ou não a cumprimos. Hoje, Deus nos chama de novo nos desertos do mundo, seja o sertão seco do Nordeste, seja nas periferias do mundo. 

 

Acabo de receber uma notícia triste e angustiante para todos os latino-americanos que se preocupam com o futuro do continente. Nessa manhã de domingo, o presidente Hugo Chávez foi à televisão e anunciou que nesse final de semana, os médicos descobriram que ele tem novas células cancerosas e precisa tirá-las quanto antes. Ele vai a Cuba amanhã para submeter-se a uma nova cirurgia. Ele tem confiança de que tudo sairá bem, mas avisa que se algo der errado, o vice presidente (Nicolas Maduro) assume e convoca novas eleições. Para quem conhece a realidade da Venezuela e do bolivarianismo no continente, sabe que o processo não depende unicamente do presidente Chávez. Graças a Deus, há uma consciência nova consolidada na Venezuela e em todo o continente. Mas, pelo momento, uma figura carismática e profética como Chávez ainda é muito importante e se faltar será para nós uma tragédia. Que Deus o ilumine e lhe dê toda força de cura. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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