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Meditação bíblica, domingo, 14 de agosto 2016

Nesses dias, participei do Fórum Social Mundial e do Fórum Mundial de Teologia e Libertação. Em ambos, o grito era: Um mundo novo (diferente) é necessário. Juntos podemos torná-lo possível". No evangelho lido por várias Igrejas históricas nesse domingo (Lucas 12, final do capítulo), Jesus diz que não veio trazer a paz, mas a espada. Vi que no grupo do Whatts up do qual participo (Juventudes e Evangelho) a discussão era se o evangelho possibilita uma postura pacifista ou essa seria alienada e deveríamos ser a favor de uma espécie de guerra justa. Alguém falou de "guerra de defesa". Pessoalmente, penso que essas palavras podem ter sido mesmo históricas de Jesus (e não apenas da comunidade de Lucas nos anos 80, depois de ter saído da sinagoga e rompido com o Judaísmo). Mas, não concordo com o Reza Aslam que Jesus histórico tenha sido apenas um zelota (guerrilheiro contra o império romano) e nem penso que podemos interpretar o evangelho como legitimação da força, mesmo que essa seja justa. 

Penso que Jesus falou da espada (Eu não vim trazer a paz mas a espada), não no sentido de que ele quisesse trazer divisão e conflito, mas ele constata que o anúncio do reino (que ele traz) acarreta isso em um mundo que não o aceita. Divide pais e filhos, irmãos e irmãos... Não porque Jesus quer que seja assim, mas porque ele não pode impedir isso... É conseqüência da sua mensagem e da vinda do reino... 

Na minha experiência, a violência única que Jesus me pede é interior e contra o meu próprio eu para, como diz Paulo, crucificar meu velho modo de ser homem para me tornar em Cristo um ser humano novo e renovado... As divisões e conflitos temos sim de assumi-los não porque Deus os queira ou goste deles e sim porque são a realidade do mundo. E aí sim a gente luta contra as injustiças, luta contra os golpes de Estado - golpes militares ou golpes parlamentares - luta contra a corrupção não apenas de gente de um partido, mas a corrupção sistêmica de toda uma sociedade - e que hoje está no governo para tirar as poucas conquistas que os pobres conseguiram nesses anos. Desde muitos anos, luto contra o Capitalismo e a cultura que o legitima, assim como a religião (qualquer que seja a denominação religiosa cristã ou não que a abençoa). Procuro lutar de acordo com os métodos e os princípios daquilo que o Mahatma Gandhi na Índia e o pastor Martin-Luther King nos Estados Unidos dos anos 60, chamavam de "não violência ativa" e o irmão Roger Schutz, fundador de Taizé chamou de "violência dos pacíficos". 

Para essa luta, Gandhi propõe dois princípios ou caminhos: a desobediência civil (não obedecer ao que é injusto) e a transparência da verdade. Penso que Jesus fez isso. Mesmo quando pegou uma corda e expulsou os vendedores do templo, isso foi uma ação simbólica. Não quis ferir ninguém nem menos ainda matar. Agiu como um profeta para dizer: Deus não quer sacrifícios e não precisa de animais mortos. Quer misericórdia e justiça...      

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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