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Meditação bíblica, domingo, 25 de outubro 2015

Nesse 30° domingo comum do ano, as Igrejas leem o evangelho do cego de Jericó (Marcos 10, 46 - 52). Jericó a 35 km de Jerusalém era a última parada para os peregrinos que iriam celebrar a Páscoa na cidade santa. A partir dali tinham de subir de quase 200 metros abaixo do mar (é assim que fica Jericó) a 1100 metros onde fica Jerusalém. E ali Jesus encontra Bartimeu. O evangelho faz desse encontro uma parábola do verdadeiro dissimulado. Como aquele rapaz cego, muitas vezes, nós também nos encontramos à margem do caminho da fé. Às vezes, até hoje, a massa, a sociedade em que vivemos tenta nos impedir de ser discípulos de Jesus. Mesmo quando estamos bem dentro da Igreja, podemos estar à margem do discipulado de Jesus. Nessa semana, no Vaticano, alguns dos cardeais que estão participando do sínodo convocado pelo papa sobre a família espalharam entre seus irmãos bispos e cardeais que o papa está com um tumor no cérebro e isso pode estar afetando o seu raciocínio. O papa chamou isso de "boatos não benévolos". A gente chamaria de outra coisa bem mais forte. De todo modo,  o cego ouve dizer que Jesus está passando ali e grita. A multidão tenta impedi-lo, mas ele grita mais alto ainda.

De fato, naquele tempo, gritar no meio do povo que alguém é filho de Davi, isso é, descendente do reino de Israel, era perigoso para a pessoa que gritava e para a pessoa a qual ele se referia (Jesus). Filho de Davi é o título messiânico que lembra o reino de 

Jesus manda chamá-lo e o próprio povo que o impedia de gritar, agora diz: "Levanta-te. Ele te chama". E o evangelho diz que o rapaz jogou fora o manto (que ele estendia no chão para pedir esmolas), deu um salto e foi tateando atrás de Jesus. Três passos no caminho do discipulado: jogar fora os mantos e coisas que nos dificultam o caminho para segui-lo, dar um salto (um passo decisivo) e ir até ele. E Jesus pergunta ao cego o que tinha perguntado antes aos dois discípulos Tiago e João: O que você quer que eu lhe faça. Os discípulos tinham pedido prestígio e poder. O cego pede a visão. E Jesus lhe dá ao fazer dele seu discípulo. É o caminho de todos nós. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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