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Meditação bíblica, domingo, 26 de julho 2015

A partir desse domingo, por vários domingos, a liturgia latina interrompe a leitura semanal do evangelho de Marcos e incorpora o capítulo 6 do evangelho de João. Começa com o texto de hoje que conta a história que Jesus teria repartido comida no deserto para uma multidão... O texto é contado por todos os quatro evangelistas, cada um com seu jeito e alguns contaram até duas vezes. Por que tantas narrativas do mesmo fato? Por que a partilha é o projeto fundamental de Jesus? Por que ele retoma a tradição do deserto e dá um novo maná. A Igreja e mesmo o evangelho de João associou esse texto com a eucaristia, mas acho incrível que espiritualizam o texto para ele lembrar a eucaristia, no lugar de compreender que a eucaristia tem de ser principalmente e antes de tudo partilha - como nesse texto está claro...

Por muito tempo, se acreditava que se tratava de uma "multiplicação" mágica de pães e peixes. Nos anos 80, a exegese mais engajada nos ajudou a compreender que nenhum texto usa o termo multiplicação e de fato tudo aponta em outra direção. Primeiramente, Jesus envolve os discípulos. Não é um ação isolada. Em segundo lugar, é quando um deles diz: "Aí tem um rapaz que tem cinco pães e dois peixes. Mas, o que é isso para tanta gente?" Jesus que tinha rejeitado a proposta de comprar - do comércio - diz imediatamente: repartam... E ao repartir aquilo que parecia muito pouco deu para todo mundo e ainda sobrou...

O problema é que até hoje na vida, muitas vezes, a gente acha que tem tão pouco que não adianta colocar em comum. É importante crer que vale a pena e colocar os cinco pães e dois peixes que temos e que somos à disposição de Jesus e de todos. Aí o milagre se faz. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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