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Meditação bíblica, Natal de Jesus, sexta feira, 25 de dezembro 2015

Canción de cuna navideña

(Aníbal Sampayo)

Todos van alegres,

llegó Navidad,

y en mi rancho pobre

tristeza solo hay.


Duérmete, mi niño, *

ya no llores más,

que nadie se acuerda

que no tienes pan.


Allá, en un pesebre,

dicen que nació

un niñito rubio,

rubio como el sol.


Dicen que es muy pobre,

pobre como tú,

destino de pobre,

destino de cruz.


Repican campanas,

llegó Navidad.

Duérmete, mi cielo,

mi cielo sin par.


Cierra los ojitos,

pocitos de sal,

pliega las alitas

y duérmete ya.

Manhã de Natal. Muita gente descansa da noite de confraternização, comidas e bebidas que marcam o Natal para muita gente. 

Lembro-me dessa canção que Mercedes Sosa imortalizou em um disco lançado nos anos 70. Na internet, vocês podem escutá-la. Basta colocar Navidad - Mercedes Sosa. É a penúltima música do álbum. 

É uma cantiga de ninar para uma criança pobre e que ela compara com o menino que nasceu em Belém.

Gosto dessa relação entre o Natal e a cruz. Como se a mesma madeira do presépio, se tornasse a madeira da Cruz. De certa forma, a paixão começou em Belém....Simone Weil, grande pensadora francesa, comentava o Natal dizendo: 

"No presépio de Belém, Deus abandonou Deus.

Deus  se esvaziou de Deus....".

Essa é minha meditação hoje. O que significa isso, hoje, 

na minha vida? na minha missão? Na missa dessa noite, ontem, proclamamos o texto de 

Isaías que serve mesmo como refrão da missa de Natal: 

"Nasceu-nos hoje um menino. Um filho nos foi dado"

Fomos educados a pensar em Deus como Pai. Hoje, ele 

se revela a nós como Filho. E não somente Filho de Deus 

Pai, mas  também "filho nosso".  Entendo isso não no 

sentido de que eu o gerei, mas no sentido de que ele me foi 

entregue para que eu cuide, zele por ele, como um pai 

deve zelar pela vida que nasceu de si. 

Quantas vezes, as pessoas deixam de acreditar em 

Deus porque nós, pessoas que cremos, o apresentamos ou 

falamos dele de modo que não vale a pena crer nele. 

Que imagem de Deus a maioria dos deputados que, no 

Congresso Nacional, se dizem evangélicos, transmite sobre 

Deus para quem não crê? Um deus homofóbico, racista, 

cruel, discriminador de pessoas, amigo dos seus amigos e 

inimigo terrível para quem não serve ao que ele quer?

Desse deus ou desse ídolo, o Natal me torna ateu. 

Etty Hillesum, uma moça judia de 28 anos, esperando a

morte, em um campo de concentração nazista, orava: 

Meu Deus, eu sei que você não pode me salvar. 

Não pode me tirar daqui. 

Eu é que ainda posso salvar você 

que anda muito mal falado por essas bandas. 

Vou tentar salvá-lo ao menos dentro de mim, 

onde você corre o risco de desaparecer.... 

É nesse Deus, esvaziado da divindade todo-poderosa e 

arrogante que creio e que quero testemunhar. 

Mesmo Jesus - 

muitas vezes se fala nele de forma autoritária 

e dogmática, mais para justificar uma Igreja rígida e

desamorosa do que para se deixar guiar por ele. 

Quero me juntar a ele nesse grande presépio 

de palhas e de espinhos que é o mundo. 

Quero contemplá-lo como uma manifestação de Deus, 

no pequeno, frágil e impotente, 

Ele, Jesus, muitas vezes, expulso das Igrejas 

e  alheio à vida dos religiosos bem-pensantes.

Não me interessa apenas crer em Jesus. 

Quero sim, crer nele, como creio nas pessoas 

com as quais convivo e às quais quero bem. 

Mas, quero crer em Jesus de um modo bem particular:

com a mesma fé que Jesus viveu: 

fé no Pai maternal de amor, fé nas pessoas 

e fé em que esse mundo pode ser transformado. 

Quero a fé de Jesus em mim, 

como força para viver minha fé nas pessoas 

e na transformação do mundo. 

A fé de Jesus em mim me torna mais revolucionário 

e me ajuda a me libertar 

dos pedaços de reacionarismo e acomodamento 

que ainda percebo em meu modo de ser e de viver. 

Quero viver eu também o esvaziamento amoroso 

que Jesus viveu na relação com os outros 

e na minha forma de conviver. 

Ainda estou meio longe disso, mas quero.

Sei que isso significa não me impor 

e acolher os outros em sua diversidade.

Só assim, a partir dessa pequenez 

e dessa fragilidade divina 

em mim mesmo e na caminhada da gente 

podem se tornar verdadeiras e efetivas

as palavras com que a liturgia das Igrejas antigas 

abre a festa do Natal na tarde de ontem, 

24 de dezembro: 

" Hoje, vocês vão poder saber que ele virá

e amanhã hão de ver os sinais de sua presença. 

Amanhã será destruída a iniquidade desse mundo 

 e  sobre a terra, reinará a salvação e vida plena" 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

Informações

contato@marcelobarros.com