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Meditação bíblica para o domingo, 16 de agosto 2015

No Brasil, a Igreja Católica celebra nesse domingo (transferido do sábado 15), a festa da Assunção da Sta Virgem Maria, ou como preferem chamar os orientais: a dormição da Virgem, palavra para indicar o dia em que ela foi para o céu. Em 1950, o papa Pio XII proclamou o dogma da assunção, segundo o qual ela teria sido levada ao céu de corpo e alma. Um dogma anti-ecumênico e que divide ainda mais as Igrejas.

Um modo mais pedagógico de falar disso é superar a linguagem mitológica que fala em "subir" (como se o céu estivesse lá em cima) e em ser levada para o céu de corpo e alma (não me peçam para explicar como dizer isso à humanidade de hoje). Mas, como então falar disso? Dizer que esse é o destino de todos nós: o projeto divino é que todos nós possamos ressuscitar com Cristo e tanto em nosso espírito, como em nosso corpo... Mas, podemos compreender isso não apenas como uma espécie de destino depois da morte. Podemos compreender isso na linha da evolução do ser humano e do universo que se torna consciente através de nós. Theillard de Chardin falava em que tudo o que evolui, sobe e converge. Pelo projeto divino, nós somos chamados a, desde já, evoluir e participar desse processo de evolução do universo, através de uma consciência amorosa que une todos os seres no Espírito e os faz convergir para uma plenitude que é a salvação dada por Deus e que os antigos chamavam de céu. Maria, mãe de Jesus, é uma figura profética dessa evolução. E o cântico de Maria, que proclamamos no evangelho dessa festa, mostra em que sentido vai essa revolução que Deus faz no mundo e no universo: uma reinversão dos valores humanos e uma vitória dos pequeninos que Deus faz subir e se tornar referência do seu reino.  

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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