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Meditação bíblica, quarta feira, 01 de julho 2015

Estou acompanhando e sofrendo com minha irmã Penha na UTI de um hospital em uma grave situação cardíaca. Além da apreensão e da dor que é o fato de nos sentir impotentes diante da dor física do outro, temos (estou falando como pessoas da sua família) de lidar com a desumanidade do sistema de saúde do Brasil, mesmo uma pessoa que paga UNIMED. Na segunda feira, depois de um dia inteiro de exames, passamos horas da noite tentando internação quando a situação dela exigia isso. Graças a Deus, pelo menos conseguimos que depois de todo esse desgaste, ela tenha sido internada e esteja bem tratada.

Ontem à noite, quando lhe fiz a visita mais recente, me surpreendi precisando rezar, rezar, rezar. Pedir a Deus que a cure? Mas, que direito tenho eu de em uma UTI de não sei quantos leitos, ao lado de todas aquelas pessoas igualmente em situação tão precária de saúde, pedir pela minha irmã, como se os outros ali ao lado não fossem meus irmãos e irmãs? Seria ela melhor do que os outros? Como eu ousaria não pensar em todos e não somente nela? Mas e os outros doentes todos, de todas as UTIs e hospitais do Recife, do Brasil e do mundo? Por acaso, aos olhos de Deus, seriam menos importantes? Ou cada um cuida do seu e Deus cuidaria de todos ou veria como um patrão em um posto de saúde (UPA) a quem atender primeiro e a quem deixar para depois? Como crer nisso? E que imagem de Deus, eu crente e monge, estou passando para mim mesmo e para os outros? Por acaso, Deus tem alguma coisa a ver com a crise cardíaca de Penha? Teria sido ele o culpado? Ou ao menos se omitiu quando poderia ter evitado? Mas, se ele é pai e mãe, como posso pensar em um pai ou mãe que permite isso ou aceita que seu filho ou filha passe por isso? É a lei da vida e ele não pode mudar? Se é assim, para que rezar? 

Ou será que Deus precisa de pistolão e algum favorecimento para acudir a um filho ou filha que está sofrendo? Ou é na base da corrida? A quem chega primeiro para pedir, ele atende???

Não posso crer nisso. Não posso cair nessas superstições piedosas que nem falam bem de Deus ou pensam nele como um tapa-buraco para o caso da gente não ter outro remédio ou um bom antibiótico para vencer a infecção. E entretanto, na minha sensibilidade de cristão, preciso orar, devo orar, só posso orar....

E meu mestre e senhor Jesus me disse: "Pedi e receberei...." "Se pedirdes alguma coisa em meu nome, ele vos dará..."

Discretamente, ergui as mãos junto ao leito de Penha, voltei à palavra do salmo que, segundo Lucas, Jesus teria dito na cruz: "Em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito". E pedi a Deus que manifestasse a cada uma das pessoas ali doentes e às pessoas necessitadas do mundo inteiro o dom do seu Espírito de resistência e cura dos males que não são provocados por ele mas que precisamos dele para nos libertar. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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