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Meditação bíblica, sábado, 04 de agosto 2012

Queridos irmãos e irmãs, 

Neste domingo, (XVIII do ano), o evangelho proposto pela liturgia da Igreja Católica e Anglicana é João 6, 24 - 35. É um trecho do capítulo 6 de João. No domingo passado, ouvimos o relato da repartição dos pães e agora Jesus diz que ele quer nos dar o verdadeiro pão do céu. Conforme a exegese mais atual, esse discurso do capítulo 6 responde a questões das comunidades cristãs do final do século I e começo do século II, mais do que do tempo de Jesus. Primeiramente a questão da busca. Por que as pessoas buscam Jesus? O evangelho pergunta: porque comeram dos pães e ficaram saciadas? Ou por uma busca mais profunda? Nós mesmos, hoje, por que o buscamos? 

Tenho um amigo provocador. Um missionário pentecostal bateu na porta de sua casa e, ao ser atendido por meu amigo, perguntou:

- Meu irmão, você já encontrou Jesus Cristo?

- Não, mas desculpe, ele se perdeu? 

O outro percebeu que havia uma crítica irônica na resposta e sem senso de humor se despediu:

- Vou me embora. Fique com Deus. 

Meu amigo não deixou por menos:

- Não. Pode levá-lo com você. Eu não estou precisando dele agora.  

Por mais que esse tipo de reação suscite espanto, é bom porque nos joga na questão mais profunda dos motivos de nossa busca e nas questões mais sérias de nossa fé. 

Pessoalmente, eu acho que ao prometer que nos dará o pão do céu (em outro lugar do mesmo capítulo, ele falará do pão da vida), sofro quando vejo logo as pessoas interpretarem que Jesus está falando da eucaristia. Isso me parece uma visão que reduz muito o que ele queria dizer. O pão que ele nos dá é sua presença no meio de nós, sua energia de vida, sua palavra e o exemplo de sua vida. A eucaristia é sinal e sacramento disso. Ótimo. Mas, não esgota essa realidade. Eu interpreto as palavras de Jesus como se ele hoje me dissesse: Assuma minha energia de amor e se alimente dessa minha presença junto de você para continuar o meu caminho. 

É isso que quero. 

Tê me mandou uma notícia de um padre de São Paulo que se pronunciou a favor da retirada dos crucifixos e símbolos religiosos de instituições públicas. O Brasil é um país laical e além de não caber em uma instituição pública um símbolo religioso, menos ainda um símbolo que é aceito por uma Igreja e não é aceito por outras. Também penso assim e acho que no lugar de lutarmos por manter esse tipo de cultura de cristandade e dominação eclesiástica, temos mesmo é de trabalhar para que os valores do evangelho possam nutrir e fortalecer a luta pela justiça e pelos direitos humanos. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

Informações

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