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Meditação bíblica, sexta feira, 24 de junho 2016

Hoje, desde tempos muito antigos, as Igrejas cristãs celebram a festa do nascimento de São João Batista. Sem dúvida, essa festa é pre-cristã e tem origem nas celebrações em torno do sol pelo solstício do verão no hemisfério norte e do inverno no sul. Nesses dias, nos Andes, os índios celebram o Inti-Rami, o sol que reina de novo... Corresponde à festa do ano novo ou do Natal no Oriente antigo. As Igrejas cristianizaram essas festas dedicando-as a João Batista. 

Atualmente, os católicos costumam ter mais devoção a Maria e a São José. Nos tempos antigos, a devoção maior era com João Batista. Além do natal de Jesus e a partir do século VIII ou IX, a festa da natividade da Virgem Maria, desde o mundo antigo, João Batista é o único santo do qual a Igreja celebra o nascimento. De fato, o evangelho de hoje dá o motivo: "Por seu nascimento, o mundo inteiro se alegrará".

Quando aos 18 anos entrei no mosteiro, aprendi que João Batista é o padroeiro de todas as vocações cristãs: João é ao mesmo tempo de família sacerdotal, mas nunca exerceu essa missão. É por isso leigo e profeta... É precursor de Jesus, mas principalmente testemunha e ele mesmo se chama de "amigo do Esposo".

Lembro-me de quando era noviço e li o famoso livro de Jean Danielou: João Batista. Ali aprendi que João era o homem da única alegria. E era uma alegria tão imensa, essa de ser amigo do esposo e alegrar-se em ver o esposo e a esposa unidos. Isso me marcou muito. Talvez porque como celibatário eu já uni muitos irmãos e irmãs, inclusive em casamento. Tenho amigos que me agradecem por ter sido eu o elo ou o fator que aproximou os dois... E isso me acontece muito: e cada vez eu recordo isso de João Batista: eu não sou o esposo. Sou apenas o amigo do esposo e nisso consiste a minha alegria: é preciso que ele cresça e eu diminua" (Jo 3). É difícil compreender essa dinâmica do amor, principalmente em uma sociedade na qual a gente aprende sempre a querer ser maior, a querer ser o mais importante e a competir para isso...

Nesse contexto, há uma profecia importante em dar lugar ao outro, reconhecer a centralidade do outro e aceitar diminuir para que ele cresça.... Na fé, o outro é sempre o Cristo... 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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