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Mensagem pascal

Este é o dia que o Senhor fez para nós, nele exultemos e nos alegremos, aleluia!”(Sl 118). 

 Queridos irmãos e irmãs, 

Nessa manhã do Domingo da Ressurreição lhes escrevo depois de reler e meditar no evangelho que a Igreja propõe como evangelho dessa manhã (Jo 20, 1 -9). 

Junto à boa notícia do evangelho da ressurreição, me vem a notícia de oito atentados terríveis em Igrejas no Sri Lanka, onde os irmãos e irmãs celebravam a Vigília Pascal e o domingo da Ressurreição. Até aqui o saldo é de 180 mortos e quase 500 feridos. Independentemente do que está por trás dessa barbárie, (o fato do Cristianismo ser a religião de apenas 7% da população e muitos o associam ao Ocidentalismo e ao império norte-americano), voltamos à madrugada da ressurreição quando a notícia só podia ser sussurrada entre companheiros em um mundo dominado pelo ódio e pela violência. 

De fato, estamos na manhã do primeiro dia da semana, como aquelas três figuras das primeiras comunidades cristãs estavam caminhando para o túmulo vazio de Jesus. No quarto evangelho, Maria Madalena, Pedro e o discípulo que Jesus amava são figuras simbólicas que representam grupos ou tendências na comunidade. Hoje, poderíamos dizer que Pedro representa a Igreja ministerial, o discípulo amado os grupos mais livres e que representam o carisma, enquanto Maria Madalena é a figura da mulher na Igreja: o discipulado feminino que já no final do século I era abafado pela cultura patriarcal das comunidades. 

De acordo com o evangelho, todos encontram o túmulo vazio. O discípulo amado, os cristãos mais místicos chegam primeiro ao túmulo, mas respeitam a hierarquia e esperam por Pedro. No entanto, é esse grupo do discípulo amado que vê e crê (Pedro vê, mas ainda hesita). E entretanto, não é nenhum desses dois grupos que encontram o Senhor ressuscitado. É Maria no jardim que refaz a busca da mulher amada no Cântico dos Cânticos e reencontra o Senhor. É a mulher que por primeiro descobre o Ressuscitado e o anuncia a seus irmãos. 

Para mim, esse evangelho nos dá a alegria de nos recolocar nessa caminhada na madrugada que retoma um novo recomeço da criação – um novo primeiro dia da semana – e refaz dentro de nós a ânsia alegre dessa procura. Como estamos nisso? Se nos acomodamos nas nossas crenças e nas nossas certezas, não seremos companheiros desses irmãos que se arriscam em caminhar na madrugada na procura do Bem-amado. Refaçamos em nós mesmos e uns nos outros esse ardor da procura e nos deixemos tocar pelos sinais da ressurreição, mesmo em um mundo no qual não faltam sinais de morte e de crueldade como esses atentados terríveis em Sri Lanka, mas podemos sim descobrir o sinal dos lençóis dobrados no túmulo vazio e, quem sabe, um jardineiro pobre nos encontre e como disse o nome de Maria, diga o teu e o meu nome e nós possamos reconhecê-lo: Raboni, Meu Mestre.  Apesar de tudo, o Cristo ressuscitou, feliz Páscoa para vocês, aleluia.   

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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