Blog Aqui vamos conversar, refletir e de certa forma conviver.

Momento bíblico - terça-feira, 13 de setembro 2011

Há anos, cada terça-feira, vivo minha oração em comunhão com as comunidades afrodescendentes. Ainda há poucos dias, um rapaz me contestou dizendo que os Orixás da Bíblia são como os ídolos cananeus que a Bíblia condena. Respondi que, de fato, não cabe essa associação (orixás e deuses cananeus), porque, para o Candomblé só existe um Deus que é chamado de Olorum. Os Orixás não são propriamente deuses e sim manifestações da divindade na natureza. Por outro lado, historicamente, a Bíblia não condenou todos os deuses cananeus. El Shaddai, o deus da montanha, El Shabaot, deus da guerra, El Berith, o deus da aliança e outros eram deuses cananeus que foram incorporados à imagem do Deus bíblico. Tornaram-se como nomes antigos de Deus. Ver Êxodo 6, 2 em diante. A Bíblia condena e chama de ídolos os deuses do comércio fenício (Baal) e deuses como Moloc que pediam sacrifícios humanos. Para a Bíblia, os deuses pagãos são os que legitimam a opressão e a injustiça. Então, se nossa adoração a Deus é baseada na justiça, pode chamar Deus com os nomes de qualquer cultura. Se não associamos adoração e justiça, mesmo se o chamamos com o nome santo de Adonai, o Senhor Javé, nossa adoração será idólatra. Lutero dizia: “Deus prefere a blasfêmia e o insulto de quem é justo do que o louvor e a adulação da pessoa injusta”. Para quem quiser ler o trecho do evangelho que as comunidades católicas lêem hoje: Lucas 7, 11- 17.

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

Informações

contato@marcelobarros.com