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nosso padre Edwaldo em Deus e com Deus

                  No Recife, o padre José Edwaldo Gomes era dos sacerdotes mais conhecidos e estimados. Não apenas por ser dos que, por mais tempo, exerciam o ministério presbiteral e sim pelo contato simples e direto com as pessoas. Frequentemente, quem passasse pelo bairro de Casa Forte nas primeiras horas da manhã o encontrava, mesmo com mais de 80 anos, fazendo sua caminhada matinal. Era amigo de ricos e pobres, gente importante e pessoas comuns. 

                     Quando era jovem, foi reitor de seminário. Assim, se tornou um dos padres mais próximos de Dom Helder, durante todo o tempo em que o Dom foi pastor da arquidiocese. Em um livro de testemunhos sobre o Dom, o padre Edwaldo escreveu que visitou Dom Helder na tarde do 27 de agosto de 1999, poucas horas antes da partida do Dom e o encontrara se preparando para a grande viagem[1].

Talvez por causa dessa profunda amizade com Dom Helder, o padre Edvaldo caiu no desagrado do arcebispo que sucedeu o Dom. A dificuldade maior surgiu quando, em outubro de 2006, na celebração de seus 50 anos de padre, um bispo anglicano apareceu de última hora e se colocou no altar para concelebrar com o padre. O arcebispo tornou pública a sua condenação e sua censura. Padre Edwaldo sofreu com a incompreensão do pastor, mas permaneceu fiel em seu lugar até que o inverno passou e a Igreja de Olinda e Recife recebeu Dom Fernando Saburido como pastor que dialoga com todos.

Nesses dias, todos os que conheceram e tiveram o privilégio de conviver com o padre Edwaldo,  sofrem o impacto da sua partida. Principalmente para os paroquianos de Casa Forte, a sensação é de orfandade de quem viu partir um pai bondoso e uma testemunha da bondade de Deus. Durante todos os anos do seu ministério, o padre Edwaldo sempre foi um pastor que soube ser próximo das pessoas e contava com a confiança de todos. Sua experiência humana e pastoral fez dele um verdadeiro doutor da Igreja de Olinda e Recife. Sua partida repentina nos deixa mais órfãos. No entanto, assim como Eliseu recolheu o manto de Elias e prosseguiu o seu ministério, somos  chamados/as a continuar a missão do padre Edwaldo, no cuidado uns com os outros e para que se realize no mundo o projeto divino da paz e da justiça.

 



[1] - Cf. PE. JOSÉ EDWALDO GOMES, Um pouco da minha história até o encontro com D. Helder, in ANTÔNIO MONTENEGRO e outros, Dom Helder, Peregrino da Utopia, Prefeitura do Recife, Secretaria de Educação, 2002, p.

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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