Blog Aqui vamos conversar, refletir e de certa forma conviver.

Quem faz a vontade do Pai maternal

  Nesse domingo, o evangelho lido nas Igrejas (católicas e evangélicas históricas)  - Mateus 21, 28 - 32 - fala de um pai que tem dois filhos e vai a cada um deles e os manda trabalhar em sua lavoura (o texto diz: a sua vinha. O primeiro diz que sim, mas não vai e o segundo diz Não, mas acaba fazendo a vontade do pai.  

Nessa parábola, o evangelho retoma a palavra de Jesus na montanha: Não adianta dizer Senhor, Senhor e não fazer a vontade do Pai. Quem acolhe o reino é não quem diz Senhor, Senhor (o sim do primeiro filho) e  sim quem faz a vontade do Pai (ver Mateus 7, 21. Essa parábola lida nesse domingo retoma essa insistência de Jesus:  o mais importante não é dizer que ama o Senhor, mas cumprir a sua vontade.  O filho que parece mais ligado ao Pai diz que vai trabalhar mas de fato não vai. Esse filho representa os religiosos de qualquer religião que seja. Tanto judeus, como cristãos, budistas ou de qualquer outra religião correm sempre esse risco. Têm essa tentação:  louvam ao Senhor corretamente. Vivem dizendo “sim” a Deus, mas, na prática, não cumprem o que Deus manda fazer de concreto. Enquanto isso, o outro filho que diz “não vou”, mas depois se acaba indo. Esse filho da parábola representa as pessoas que não são religiosas e não sabem rezar nem responder com palavras corretas ao apelo do pai. Mas, acabam cumprindo a vontade dele. Por isso, Jesus conclui a história dizendo aos religiosos que vieram debater com ele: “Os publicanos (pecadores) e as prostitutas chegarão antes de vocês no reino dos céus”.

Hoje, podemos recontar essa história vendo no filho delicado, mas acomodado, a figura de qualquer pessoa ou comunidade religiosa que responde delicadamente ou docilmente ao apelo de Deus mas não o pratica. Mas, afinal, qual é essa vontade do Pai que se revela como uma Mãe de ternura e amor? Na conclusão da parábola Jesus fala em "reino dos céus", ou reinado dos céus, isso é de Deus. Isso significa construir um mundo e um modo de viver que seja de acordo com a vontade divina, com o projeto que Deus tem para o mundo. Atualmente na América Latina, os indios têm nos chamado para o Bem-viver, um paradigma de civilização que tem a Vida e a vida saudável, partilhada e amorosa com as pessoas e com a natureza como caminho de vida. É o que o evangelho chama de "vida em plenitude". 

É muito ecumênico o fato de que nessa parábola, Jesus acentua que os dois filhos têm o mesmo pai e esse dirige aos dois o mesmo apelo. Deus não é Deus da religião e nem apenas considera como filhos os religiosos. Todas as pessoas são filhas amadas de Deus e esse dirige a todos e todas o mesmo apelo de amor e de envolvimento na tarefa de transformar esse mundo. 

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

Informações

contato@marcelobarros.com