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Reabriram a temporada de caça aos índios

                  O Ministério Público investiga um massacre de índios ainda isolados e que foram atacados por garimpeiros clandestinos no vale do Javari a 1000 Km de Manaus na Amazônia (notícia de hoje, Folha de São Paulo, 06/ 01/ 2018). Na madrugada do 1o de janeiro, enquanto nas casas as pessoas festejavam o ano novo, um homem branco com um pedaço de madeira bateu até matar em um índio Xogleng que ele, por acaso, encontrou em uma praia da Penha, SC, O índio era Marcondes Namblá, de 38 anos, professor formado na Universidade de Santa Catarina. Nesses dias, ele tinha vindo com sua família do vale do Itajaí, onde mora o povo Xokleng, para Penha. Ali ele queria vender artesanato indígena aos turistas que vem à cidade para as festas. Mas, muitos da cidade, da classe média catarinense, descendentes de europeus, acham que índio dormindo na rodoviária e vendendo artesanato, suja a cidade. Há dois anos em Imbituba, também litoral de Santa Catarina, uma índia sentada no chão da rodoviária amamentava o seu filhinho de dois anos. Um homem se aproximou, tirou dela a criança e a degolou diante da mãe...

                     O Conselho Indigenista Missionário (CIMI) órgão da CNBB, publicou um relatório que em 2016, no Brasil, 118 índios foram assassinados. Além disso, 106 se suicidaram, sendo a maioria jovens e adolescentes. Ainda 735 crianças menores de cinco anos morreram, a maioria vítima de desnutrição infantil. Perguntado por que tantos jovens Guarani Kaiowá se suicidam no sul do Mato Grosso, um rapaz de Aquidauana respondeu: "Sem terra, nós morremos do mesmo jeito. É melhor morrer mais rápido. E deixamos nosso sangue na terra que é nossa e na qual nossos avós estão plantados. De todo modo, a gente morre sempre ou assassinado pelos fazendeiros ou sem terra, como alguém que não tem comida nem agua para beber". 

                  Na Bíblia, o Livro do Levítico e a Lei de Moisés dizem que onde se derrama sangue inocente, a terra se torna impura e doente. Penso que o Brasil está assim. Esse massacre dos índios atinge a todos nós. Precisamos reagir. Através de amigos italianos, estou tentando acionar organismos internacionais e até um grupo ligado à ONU para pressionar o governo brasileiro a recuar e dar força à FUNAI como organismo de defesa dos povos indígenas. Algumas pessoas começam a adotar no seu próprio nome a identidade de um povo. Assim uma amiga passou a se chamar Joana da Silva Kaiowá. Um amigo se tornou Guto Guarani... Isso não basta, mas é um sinal. Temos de fazer alguma coisa. No começo de fevereiro, 07 de fevereiro é a memória do massacre dos Guarani e martírio do índio Sepé Tiaraju no tempo da República Guarani em 1778. Quem sabe, em todo o Brasil, nessa data faríamos vigílias e manifestaçoes de solidariedade aos índios de nossa região. E fazer repercutir essa solidariedade.  

Marcelo Barros

Camaragibe, Pernambuco, Brazil

Sou monge beneditino, chamado a trabalhar pela unidade das Igrejas e das tradições religiosas. Adoro os movimentos populares e especialmente o MST. Gosto de escrever e de me comunicar.

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